Jornalista da The Economist: Pensei muito nos textos para não ser injusta com o Brasil

“O Brasil estragou tudo?” O questionamento feito na última edição da revista inglesa The Economist pairou no ar e despertou a atenção de mui...

“O Brasil estragou tudo?” O questionamento feito na última edição da revista inglesa The Economist pairou no ar e despertou a atenção de muitos. Se em 2009, o veículo mostrava em sua capa a imagem do Cristo Redentor, alusão para a economia brasileira, como um foguete prestes a decolar, hoje o sentimento não é tão otimista.

Quatro anos depois, a publicação reproduziu a mesma abertura, mas dessa vez mostrou o monumento como uma aeronave desgovernada, com a chama apagada e prestes a cair.

Com o título “Has Brazil Blown it? (traduzido literalmente para “O Brasil estragou tudo?”), a edição, distribuída na América Latina, conta com uma reportagem especial de 14 páginas e foi produzida pela jornalista irlandesa Helen Joyce, correspondente da revista no Brasil. A matéria evidencia o baixo crescimento da economia brasileira. O mesmo país que sinalizava um futuro promissor ao registrar crescimento de 7,5% em 2010 estagnou, desde 2011, em um desenvolvimento anual de 2%. Entre as consequências, de acordo com a reportagem, está o afastamento de investidores estrangeiros. Apesar das críticas, que não são poucas, existe um otimismo a longo prazo.

Helen, que atua na The Economist desde 2005 e como correspondente brasileira desde 2010, afirma que o principal desafio de um jornalista estrangeiro é ser justo e, segundo ela, foi o que ela tentou ao máximo nessa edição. “É sempre difícil falar de Brasil. É muita coisa positiva e negativa na mesma proporção. Tem muita coisa para melhorar, mas também teve progresso nos últimos anos. Sempre há os dois lados”, diz.

A repercussão da matéria gerou muitos comentários e opiniões, até mesmo da presidente Dilma Rousseff que, em seu perfil no Twitter, disse que “Eles [The Economist] estão desinformados. O dólar estabilizou, a inflação está sob controle e somos o único grande país com pleno emprego”. Helen ressalta que a matéria teve um grande retorno, mas que a maioria dos julgamentos foi baseada na imagem de capa. “Ninguém mandou uma crítica bem estruturada”.

Confira a entrevista exclusiva à Imprensa:

Por que a reprodução da capa de 2009 neste momento?

Helen Joyce – Nós temos uma agenda para reportagens especiais que são combinadas um ano antes, então eu já sabia que essa matéria sairia nessa edição e já tinha feito um planejamento. Fiz as viagens, realizei a maioria das entrevistas em julho deste ano e, em agosto, mandei tudo para Londres e começamos um processo, que durou quase um mês, de confirmação de dados, edição e escolha de imagens. Não é uma ideia recente, ela foi arquitetada faz um tempo.

A reportagem foi uma proposta sua ou uma solicitação dos editores?

H.J.– Todo ano a editora do escritório de reportagens especiais manda um e-mail para todos os jornalistas da revista pedindo sugestões de ideias. Eu disse que o Brasil mudou muito nos últimos quatro anos e que queria escrever uma matéria sobre isso. Em julho de 2012, fui à sede em Londres para explicar os principais pontos e ela gostou. Quando a lista de temas foi fechada, no fim do ano passado, o meu relatório estava lá.

A ideia de reproduzir a mesma capa de 2009, com outro foco, foi uma sugestão sua?

H.J.– Não, eu não sabia que seria assim, só vi depois. A The Economist tem uma reputação em capas fortes. A imagem precisa capturar a atenção dos leitores. Temos uma equipe de especialistas e eles sempre têm ideias assim. Muita gente acha que temos aberturas diferentes apenas quando se trata de Brasil, e que difere do tratamento dado ao restante do mundo. Não é assim. Sempre usamos sátiras, imagens fortes etc para outros países também.

Qual foi a recepção dos leitores?

H.J.– Recebi vários comentários. As pessoas que gostaram muito da última capa não gostaram dessa e vice e versa. No geral, acho que não leram a matéria, que foram mais pela imagem. O que sempre acontece. Recebemos algumas queixas sobre usar a imagem do Cristo Redentor, por ser religioso e até relacionado com blasfêmia. Isso aconteceu também em 2009. Ninguém mandou uma crítica bem estruturada. Recebi comentários de pessoas falando para eu olhar para o meu país, o que não faz sentido, porque nós escrevemos sobre ele. Eu escrevo sobre o Brasil, porque sou a correspondente daqui. Ninguém disse que sou pessimista ou otimista demais. Quando lerem, verão que sou os dois, ao mesmo tempo.

Quais foram os principais problemas citados na reportagem?

H.J.– É sempre difícil falar de Brasil, mas tentei ser muito equilibrada na matéria. Existem muito prós e contras aqui. É muita coisa positiva e negativa na mesma proporção. Eu passei muito tempo pensando nos textos para não ser injusta. Cheguei aqui em julho de 2010 e o grande desafio de ser correspondente estrangeiro é exatamente ser justo. Tem muita coisa para melhorar, mas também teve progresso nos últimos anos. Sempre há os dois lados.

Entre as coisas negativas existe o processo de licenciamento ambiental, um sistema ineficiente para escolher o governo, uma incrível diferença entre setor privado e público, uma burocracia ruim etc. Em todos esses pontos utilizei muitos dados e fontes públicas, como o Banco Mundial e o governo brasileiro. Tudo o que eu disse eu posso comprovar. Temos um processo rígido de confirmação de dados e eu passei, no mínimo, duas semanas falando com nossos pesquisadores em Londres, que pediram fonte para tudo.

Qual é a principal mudança do que foi publicado em 2009 para hoje?

H.J.– O sentimento do mercado externo. A opinião dos estrangeiros mudou totalmente, mas para pior. Em 2009, houve um grande otimismo, talvez exagerado, que agora acho que seja de menos. Eu li um relatório de um grande banco em 2009, não posso dizer qual, mas que explicava três cenários para os próximos anos e, no pessimista, indicava um crescimento de 5% por ano. O mundo inteiro achou que o Brasil chegou a um crescimento sustentável, de, no mínimo, 4 a 5% por ano. Agora é um sonho perdido. Ele não cresceu.

Existe um otimismo a longo prazo?

H.J.– O Brasil ainda tem muitos pontos fortes. Isso não mudou nos últimos anos. É um dos raros países que tem essa possibilidade de crescimento. Mas por que não está crescendo? Acredito que por erros internos. Em geral as razões para o baixo crescimento estão dentro do próprio Brasil. O agronegócio, por exemplo, é um dos pontos fortes. É uma grande fonte de crescimento. Na semana passada eu conversei com a [ex-senadora] Marina Silva, que é uma das pessoas mais interessadas no meio ambiente, e ela falou que temos terras e que a nossa produção pode crescer muito mais, sem danos ambientais.

Você credita o governo de Dilma Rousseff como um dos principais motivos para o baixo desenvolvimento do País?

H.J.– Sim, infelizmente. O maior erro, em minha opinião e dos meus editores, é que ela perdeu a confiança do mercado sem necessidade. Que acho que foi um erro enorme.

O que você responde ao comentário da presidente Dilma em sua conta no Twitter, onde ela diz: “Eles [The Economist]estão desinformados. O dólar estabilizou, a inflação está sob controle e somos o único grande país com pleno emprego.”?

H.J.– Ela respondeu sobre coisas que não dissemos. Não falamos que a inflação está fora do controle, apenas que é alta e nem que o dólar está desestabilizado. Não sei por que ela disse isso. A Dilma afirmou que somos desinformados, mas em que ponto? Ela não apontou um dado incorreto ou alguma informação que não procede.

Você acha que a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos oferecerão ajuda para a recuperação do Brasil ou trarão mais dívida?

H.J.– Acho que os eventos não serão relevantes para a economia. Pode ser ótimo em outros sentidos, mas para a economia não será relevante. É possível a construção de mais estádios, o país é rico o suficiente para isso. Mas realmente querem isso? Acho que terão estádios caros e alguns sem utilização – que será um desperdício. O Brasil tem muito potencial em turismo, mas ainda não recebe muitos, pelo custo e distância.

Quais os investimentos e os projetos futuros da The Economist no Brasil?

H.J.– Eu sou a única correspondente, mas não por falta de interesse, mas sim por recursos financeiros. Há muita curiosidade por parte dos estrangeiros. Eles não conhecem muito, mas querem passar a conhecer. Tem muito interesse e desconhecimento ao mesmo tempo, o que é bom para o jornalista. Podemos escrever qualquer coisa sobre o Brasil que teremos audiência. Eu vou sair do país no fim deste ano. Geralmente o correspondente fica um período de três a quatro anos, que eu já fiquei. Teria gostado de ficar um pouco mais. Vou voltar para Londres. Meu sucessor vai chegar no começo de janeiro e vai morar em São Paulo e poderá escolher se vai trabalhar em casa ou em um escritório separado.

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Gabriela Ferigato, do Portal Imprensa

Fonte: Observatório da Imprensa
[Via BBA]

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