Um roteiro para o fim do envelhecimento

Com seu visual rasputínico, Aubrey de Grey, um cientista britânico, se converteu em uma espécie de guru moderno da imortalidade. É como se e...

Com seu visual rasputínico, Aubrey de Grey, um cientista britânico, se converteu em uma espécie de guru moderno da imortalidade. É como se ele fosse o antípoda do cavaleiro do apocalipse. Afinal, para ele: "O fim não está próximo". Pelo contrário.



18 minutos é um limite de tempo absolutamente brutal, então vou mergulhar no assunto, indo direto ao ponto onde eu coloco a coisa pra funcionar. Vamos lá. Eu vou falar de cinco coisas diferentes. Vou falar sobre porque vencer o envelhecimento é desejável. Vou falar sobre porque temos que tomar vergonha na cara e realmente discutir mais esse assunto. Vou falar também da viabilidade, claro. Vou falar sobre o porque somos tão fatalistas em fazer algo sobre o envelhecimento. E então, na segunda parte desta palestra, eu vou falar sobre como é possivel provar que esse fatalismo é errado, especificamente, se fizermos algo a respeito.



Vou fazer isso em duas partes. Na primeira, falarei sobre como passar de uma extensão de vida relativamente modesta – que vou definir como 30 anos, aplicada às pessoas que já estarão na meia-idade quando começarem – até onde poderemos genuinamente chamar de derrota do envelhecimento. Especificamente, em essência a eliminação da relação entre a sua idade e a probabilidade da sua morte no ano que vem – ou mesmo, de se ficar doente para começar. E claro, a última coisa de que falarei será como alcançar um meio-termo, aqueles 30 anos de extensão da vida.

Bem, vou começar com por que devemos. Agora, eu quero fazer uma pergunta. Levante a mão, quem na platéia é a favor da malária? OK. Essa foi fácil. OK. Levante a mão, quem na platéia não tem certeza se a malária é uma coisa boa ou ruim? OK. Todos pensamos que a malária é ruim. Isso é uma ótima notícia, pois eu achava que essa deveria ser a resposta. Agora, quero colocar que, a razão principal pela qual achamos que a malária é ruim, é por causa de uma característica que ela tem em comum com envelhecimento e aqui está a característica. A única diferença real é que o envelhecimento mata muito mais gente que a malária.

Agora, o que eu gosto em uma platéia, na Britânia especificamente, é de fazer um comparação com a caça da raposa, que é algo que foi banido após um grande esforço do governo, há pouco meses atrás. Quero dizer, sei que tenho uma platéia simpatizante aqui, mas, como sabemos, muitas pessoas não concordam inteiramente com essa lógica. E esta é, na verdade, uma comparação muito boa, para mim. Muita gente diz: "Quer saber, o povo da cidade não deve se meter no que fazemos com o nosso tempo aqui no interior. É uma parte tradicional da nossa vida, e nós deveríamos poder continuar fazendo isso. É ecologicamente correto, pois evita uma explosão na população das raposas." Porém, no fim, o governo prevaleceu porque a maioria do público bretão, e, certamente, a maioria dos membros do Parlamento, concluiu que era algo que realmente não deveria ser tolerado em uma sociedade civilizada.

E eu acho que o envelhecimento humano tem em comum todas essas características, sem sombra de dúvida. Que parte disto as pessoas não entendem? Não é apenas sobre a vida, é claro – [Risos] É sobre vida saudável, sabe – tornar-se frágil, miserável e dependente não é divertido, caso morrer seja divertido ou não. Então realmente, eu gostaria de descrever da seguinte forma. É um transe global. Todas essas desculpas diferentes que as pessoas dão ao envelhecimento. E, quero dizer, OK, não estou afirmando que essas desculpas não têm nenhum valor. Alguns desses pontos são muito bons. Temos que estar sempre pensando, planejando, para que nada dê errado, para minimizarmos a turbulência quando realmente conseguirmos curar o envelhecimento.
Mas, tudo isso é completamente maluco, quando você se dá conta do seu senso de proporção. Sabe, esses são argumentos, são coisas que seriam preocupações legítimas. Porém, a pergunta é: será que são tão perigosos – esses riscos de se fazer algo sobre o envelhecimento – que eles ultrapassam o aspecto negativo de se fazer o oposto, ou seja, deixar o envelhecimento como é? Será que eles são tão negativos que superam condenarmos 100 mil pessoas por dia a uma morte desnecessariamente prematura? Bem, se não tem um argumento muito bom, então, te peço, não me faça perder tempo. (Risos)

Agora, existe um argumento que algumas pessoas acham que é realmente muito bom. As pessoas se preocupam com a superpopulação. Elas dizem: "Bem, se curarmos o envelhecimento, e ninguém mais morrer, ou pelo menos o índice de mortalidade for bem menor, apenas de atravessar a rua distraído, então não poderemos mais ter muitos filhos, e crianças são importantes para a maioria." Isso é verdade. A maioria das pessoas que tenta evitar o assunto, acabam dando respostas como essa. Eu não concordo com essas respostas. Acho que elas simplesmente não funcionam. Concordo que nós teremos que enfrentar um dilema a esse respeito. Que teremos que escolher entre uma taxa de nascimento menor, ou uma taxa de mortalidade maior. Uma taxa de mortalidade maior deriva, é claro, da simples rejeição desses tratamentos, em favor de continuarmos a ter muitos filhos.


E isso não é um problema – o futuro da humanidade têm todo o direito de fazer essa escolha. O que não esta certo é fazermos essa escolha em nome do futuro. Se vacilarmos, hesitarmos, e não desenvolvermos esses tratamentos, estaremos, então, condenando um monte de gente – que teriam sido jovens e saudáveis o bastante para se beneficiarem dos tratamentos, mas não irão porque não as desenvolvemos tão rápido quanto poderíamos – nós estaremos negando a essas pessoas inúmeros anos de vida e eu considero isso imoral. Essa é a minha resposta pra questão da superpopulação.

Certo. Então o próximo item é, por que deveríamos ir mais fundo nisto? E a resposta fundamental é que o transe pró-envelhecimento não é tão burro quanto parece. Na verdade, é uma forma inteligente de lidar com a inevitabilidade do envelhecimento. Envelhecer é um horror, porém inevitável, então temos que encontrar um jeito de não pensar no assunto, e é racional que façamos tudo o que quisermos para isso. Como, por exemplo, inventar desculpas ridículas de que envelhecer é uma coisa boa no fim das contas. Mas é claro, isso só funciona quando temos ambos os componentes. E tão logo a parte inevitável se torne um pouco incerta, e estejamos perto de fazer algo sobre o envelhecimento, este algo torna-se parte do problema. Este estado de transe pró-envelhecimento é o que nos impede de discutir esse assunto. E a razão pela qual realmente devemos discutí-lo – diria até mesmo evangelizar – é para chamarmos a atenção das pessoas e fazê-las entender que elas estão num transe a esse respeito. Então, isso é o que eu queria dizer sobre isso.

Agora vou falar sobre a viabilidade. E a razão fundamental pela qual, eu acho, pensamos que envelhercer é inevitável se resume na definição de envelhecimento que estou dando aqui. Uma definição bem simples. Envelhecer é um efeito colateral de se viver, ou seja, do metabolismo. Essa observação não é completamente redundante, é uma observação razoável. O envelhecimento é basicamente um processo que acontece a objetos inanimados, como carros, e que também acontece com a gente, apesar do fato de termos vários mecanismos inteligentes de auto-reparo, pois esses mecanismos de auto-reparo não são perfeitos.

Então, o metabolismo, que é definido como basicamente tudo que nos mantém vivos no dia-a-dia, tem efeitos colaterais. Esses efeitos colaterais se acumulam e eventualmente causam patologias. Essa definição é boa. Então, podemos colocar desta forma: podemos dizer que temos essa cadeia de eventos. E há, de fato, duas opções em jogo, de acordo com a maioria, em relação ao adiamento do envelhecimento. Essas opções são o que eu chamo de abordagem gerontológica e abordagem geriátrica. O geriatra vai intervir no final, quando a patologia se tornar evidente, e o gerontologista vai tentar minimizar o impacto, e impedir que o acúmulo de efeitos colaterais faça surgir a patologia tão cedo. Claro que essa é uma estratégia de curto prazo, uma batalha perdida, porque as causas da patologia só aumetam com o passar do tempo.

A abordagem gerontológica parece muito mais promissora a princípio, porque prevenção é melhor que cura. Infelizmente, o problema é que ainda não entendemos muito bem o metabolismo. Na verdade, temos uma compreensão lamentável de como organismos funcionam – até mesmo em células ainda não somos muito bons. Só descobrimos coisas como, por exemplo, a interferência do ARN há poucos anos, e este é um componente fundamental do funcionamento das células. Basicamente, a gerontologia é uma boa abordagem, mas seu tempo ainda não chegou quando falamos em intervenção. Então, o que devemos fazer? Quero dizer, a lógica é correta, parece convincente, bem fundamentada, não?

Mas não é. Antes de explicar porque não, vou falar um pouco sobre o que chamo de segundo passo. Vamos supor que, como eu disse, nós consigamos – digamos que hoje pra exemplificar o argumento – desenvolver a habilidade de extender a vida saudável por 30 anos em pessoas que já estão na meia-idade, digamos, com 55 anos. Vou chamar isso de Rejuvenescimento Humano Sadio, OK? O que isso realmente significa é: por quanto tempo pessoas de várias idades hoje -- ou o equivalente, de várias idades quando os tratamentos estiverem disponíveis -- viveriam de fato? Para responder essa pergunta – você pode achar que é simples, mas não é. Não podemos simplesmente dizer, "Bem, se eles são jovens o suficiente para se beneficiar dos tratamentos, então eles viverão 30 anos a mais." Essa é a resposta errada. E a razão desta reposta não ser correta é por causa do progresso.

Temos duas formas de progresso tecnológico, para este fim. Existem grandes descobertas fundamentais e existem refinamentos adicionais a esses descobertas. Agora, eles são bem diferentes em termos da previsibilidade de duração. Descobertas fundamentais: é muito difícil prever quanto tempo levaremos pra realizar uma descoberta fundamental. Decidimos, há muito tempo atrás, que seria divertido voar, e apenas em 1903 realmente entendemos como fazê-lo. Mas logo após, as coisas progrediram de forma rápida e uniforme. E acho que foi uma sequência razoável de eventos que sucederam o progresso da tecnologia de vôo motorizado. Podemos, de fato, imaginar que cada avanço estava além da imaginação do inventor anterior, se você preferir. Os avanços adicionais se devem a alguma coisa que, então, não é mais adicional.

Este é o tipo de coisa que vemos depois de uma descoberta fundamental. E vemos isso em todo tipo de tecnologia. Computadores, você pode fazer uma comparação mais ou menos paralela, aconteceram um pouco depois. Podemos falar sobre tratamentos médicos. Quer dizer, higiene, vacinas, antibióticos – também seguem esse mesmo padrão. Então eu acho que, na verdade, o segundo passo, que mencionei há pouco, não é bem um passo. E que, de fato, as pessoas que são jovens o suficiente para se beneficiar desses primeiros tratamentos que resultam em uma extensão de vida moderada, mesmo que essas pessoas estejam na meia-idade quando os tratamentos forem disponibilizados elas terão alguma limitação. Eles poderão sobreviver o suficiente para receber tratamentos mais eficazes que lhes darão mais 30 ou talvez 50 anos. Ou seja, eles estarão um passo a frente. Esses tratamentos continuarão a melhorar mais rápido do que suas imperfeições restantes são capazes de nos alcançar.

É importante que eu consigar explicar esse ponto. Porque, sabe, a maioria das pessoas quando escutam minha previsão de que muita gente viva hoje chegará a ter 1.000 anos ou mais, elas acham que estou dizendo que, nas próximas décadas, inventaremos tratamentos que vão eliminar tão completamente o envelhecimento que nos permitirão viver 1.000 anos ou mais. Não é isso que estou dizendo. O que estou dizendo é que a taxa de melhoria desses tratamentos será suficiente. Nunca serão perfeitas, mas conseguiremos curar as coisas que fazem pessoas de 200 anos morrer, antes que elas cheguem aos 200 anos. E o mesmo para os 300 ou 400, etc. Eu resolvi nomear isso como: "velocidade de escape da longevidade" (Risos) Bem, parece que ajuda a explicar.

Então, essas trajetórias são basicamente como esperamos que as pessoas vivam em termos de expectativa de vida, medidas pela saúde de cada uma e pelas suas respectivas idades quando os tratamentos surgirem. Se você já tiver 100, ou até mesmo 80 – e alguém em torno dos 80 anos de idade, provavelmente não poderemos fazer muito por você com o tratamento, porque sua hora já estará perto demais para que as primeiras terapias experimentais façam efeito em você. Você não será capaz de aguentá-las, Mas se você tiver apenas 50, então há uma chance de que você consiga arremeter, entende – (Risos) eventualmente sobreviver. E comece a se tornar biologicamente mais jovem, de forma significativa em termos da sua juventude, tanto física quanto mental, e em termos de risco de morte por causas relacionadas à sua idade. E, claro que se você for ainda mais jovem, então você nunca chegará perto desse estado de fragilidade que leva à morte por causas relacionadas a idade.

Então, chego a uma conclusão real de que a primeira pessoa de 150 anos – ainda não sabemos que idade tem essa pessoa hoje, porque não sabemos quanto tempo ainda vai demorar até termos a primeira geração de tratamentos. Mas, independente da idade, eu digo que a primeira pessoa a viver até os 1.000 anos – tirando, é claro, qualquer catástrofe global – é, na verdade, provavelmete apenas 10 anos mais nova que a primeira a chegar aos 150 anos. E esta é uma idéia e tanto.

Então, finalmente, eu vou passar o resto da palestra, meus últimos sete minutos e meio, falando do primeiro passo, ou seja, como realmente atingiremos essa extensão de vida moderada que nos permitirá alcançar a velocidade de escape? Para fazer isso, preciso falar um pouco sobre ratos. Eu tenho um marco correspondente ao Rejuvenescimento Humano Sadio. O que chamo de rejuvenescimento sadio dos ratos, não muito criativo, e é o que o nome descreve. Vamos pegar uma classe de ratos que vive muito, ou seja, ratos que vivem cerca de três anos em média. E faremos absolutamente nada com eles até atingirem dois anos de idade. E, então, faremos um monte de coisas com eles, e com esses tratamentos, faremos com que vivam, em média, até o seu quinto aniversário. Em outras palavras, adicionaremos dois anos – nós triplicaremos a longevidade restante, começando do ponto onde iniciamos os tratamentos.

A questão então será: o que isso significará em termos de tempo até chegarmos ao marco, de que falei há pouco, para os humanos? O que chamamos, como expliquei, de Rejuvenescimento Humano Sadio ou velocidade de escape da longevidade. Em seguida, o que isso significa para a percepção pública, de quanto tempo demorará para atingirmos essas coisas, a partir do momento que iniciarmos com os ratos? Por último, a questão é, o que isso fará em relação a demanda das pessoas? Me parece que a primeira pergunta é uma pergunta inteiramente biológica, e extremamente difícil de responder. Dá espaço para muita especulação, e muitos colegas meus diriam que não deveríamos especular, que deveríamos simplesmente manter sigilo até sabermos mais.

Acho que isso é um disparate. Na minha opinião, é muita irresponsabilidade se ficarmos quietos. Devemos fazer o melhor que pudermos para definir um calendário, para darmos às pessoas um senso de proporção para que elas possam definir suas prioridades. Então, digo que temos 50% de chance de atingirmos o marco do RHS, Rejuvenescimento Humano Sadio, dentro de 15 anos a partir do ponto em que começarmos o rejuvenescimento sadio dos ratos. Quinze anos a partir do rato sadio. A percepção do público provavelmente será bem melhor. O público tende a subestimar a dificuldade de estudos científicos. Vai pensar que a espera será de uns cinco anos. Será um erro, mas na verdade não fará tanta diferença. E finalmente, claro, acho que vale dizer que uma grande parte da razão pela qual o público é tão ambivalente em relação ao envelhecimento tem a ver com o transe global de que falei há pouco. Isso já será história quando chegarmos lá, porque não será mais possível acreditar que o envelhecimento humano é inevitável, porque o teremos adiado nos ratos de forma eficaz. Então, é provável que acabemos com uma mudança radical na atitude das pessoas, e claro que isso terá implicações enormes.

Para que possamos explicar como conseguiremos esses ratos, eu tenho que falar mais um pouco sobre a minha descrição de envelhecimento. Vou usar a palavra "danos" para explicar essas coisas intermediárias que são causadas pelo metabolismo, e que eventualmente causam uma patologia. Porque o ponto mais crítico desse assunto é que mesmo que os danos apenas eventualmente causem uma patologia, esses danos são causados no decorrer de vida, começando antes de nascermos. Porém, não fazem parte do metabolismo em si. E isso, no final das contas, é útil. Porque desta forma podemos redesenhar nosso diagrama original. Podemos dizer que, fundamentalmente, a diferença entre gerontologia e geriatria é que a gerontologia tenta inibir a taxa com que o metabolismo causa o dano. E eu já vou explicar exatamente o que esse dano é biologicamente falando. E geriatras tentam atrasar as areias do tempo impedindo que o dano se converta em patologia. E a razão pela qual é uma batalha perdida é porque o dano vai acumulando continuamente.

Há uma terceira abordagem, se prestarmos atenção. Podemos chamá-la de abordagem de engenharia, e eu acho que está abordagem de engenharia está ao nosso alcance. A abordagem de engenharia não intervém em nenhum processo. Não intervém nesse processo, nem nesse outro. E isso é bom porque significa que não é uma batalha perdida, e é algo que está ao alcance do que somos capazes de fazer, porque não involve melhorar a evolução. A abordagem da engenharia simplesmente diz, "Vamos, periodicamente, reparar esses danos diversos – não temos que necessariamente repará-los completamente, mas o bastante, para que possamos manter o nível do dano abaixo de um ponto que deve existir e que faz com que seja patogênico." Sabemos que este ponto existe, porque não apresentamos nenhuma dessas doenças da idade até chegarmos a meia-idade, apesar do dano vir se acumulando desde antes de nascermos.

Por que eu acho que estamos ao alcance? Bem, é basicamente isso. O objetivo desse slide está, na verdade, na parte de baixo. Se tentarmos dizer quais partes do metabolismo são importantes para o envelhecimento, ficaremos aqui a noite inteira, porque basicamente todo o metabolismo é importante para o envelhecimento de uma forma ou de outra. Esta lista é uma ilustração apenas, e está incompleta. A lista da direita também está incompleta. É uma lista de tipos de patologias relacionadas à idade e é uma lista incompleta. Mas eu gostaria de lhes dizer que a lista do meio está completa, esta é a lista dos tipos de coisas que se qualificam como dano, efeitos colaterais do metabolismo que causam patologia no final, ou que podem causar patologia. E eles são apenas sete. São categorias de coisas, claro, mas são apenas sete. Perda celular, mutações em cromossomos, mutações na mitocondria e por ai vai.

Primeiramente, eu quero explicar porque a lista está completa. Claro que alguém pode usar um argumento biológico. Alguém pode dizer: "OK, do que somos feitos?" Somos feitos de células e coisas entre as células. Onde o dano pode acumular? A resposta é: em moléculas duradouras, porque se uma molécula que dura pouco sofre um dano, mas então é destruída – como por uma proteína sendo destruída por proteólise – então o dano já passou. Tem que ser moléculas duradouras. Então, esses sete tópicos estavam em discussão pela gerontologia há muito tempo, o que é uma ótima notícia, porque significa que, percorremos um longo caminho na biologia nesses 20 anos, e, então, o fato de não termos uma lista extensa é um boa indicação que não há extensão a ser feita. Porém, é melhor ainda, pois sabemos como consertar todos em rato, em princípio – e o que eu quero dizer com isso é que provavelmente podemos implementar de fato esses reparos em uma década. Alguns deles já foram parcialmente implementados, os do topo da lista.

Não terei tempo de mencionar um por um, mas minha conclusão é de que, se pudermos realmente angariar fundos para isso, poderemos então desenvolver o rejuvenescimento em massa em apenas 10 anos, mas não precisamos ser tão sérios. O que realmente precisamos é começar a tentar. Então é claro, há alguns biólogos na platéia, e eu quero respodender algumas das perguntas que vocês possam ter. Você pode estar insatisfeito com essa palestra, mas, fundamentalmente, você tem que ler sobre esse assunto. Eu já publiquei vários artigos sobre isso. Eu cito um trabalho experimental no qual baseio o meu otimismo, e tem muitos detalhes nesse estudo. O detalhe é o que me faz confiante no calendário agressivo que estou prevendo aqui. Então se você acha que estou errado, é melhor que você descubra porque você acha isso.

E claro, o mais importante é que você não deveria acreditar nas pessoas que se dizem gerontologistas porque, assim como qualquer partida de uma linha de pensamento dentro de um campo particular esperamos que pessoas convencionais sejam um tanto resistentes e não levem isso muito a sério. Mas, sabe, você realmente tem que fazer o dever de casa, para que possa entender se isso é verdade.

E vamos terminar com apenas mais algumas coisas. Uma delas é, bem, que você irá ouvir do cara na próxima palestra que disse há algum tempo que sequenciaria o genoma humano em pouco tempo, e todo mundo disse: "Bem, obviamente é impossivel." E todo mundo sabe o que aconteceu. Então, você sabe que é possível. Temos muitas estratégias – o prêmio "Methuselah Mouse", que basicamente é um incentivo à inovação, a fazer o que você acha que vai funcionar, e você recebe, em dinheiro, se ganhar. Há uma proposta de organização de um instituto. Isto é o que vai ser um pouco caro. Mas, veja bem – quanto tempo demoramos para gastar o mesmo valor na guerra do Iraque? Não muito. OK. (Risos) Tem que ser filantrópico, pois lucros desviam o foco da biotecnologia, mas, basicamente, temos 90% de chance, eu acho, de sermos bem sucedidos. E acho que sabemos como fazê-lo. E vou parando por aqui. Obrigado. (Aplauso)

Chris Anderson: OK. Não sei se teremos perguntas mas, acho que devemos dar oportunidade as pessoas. Platéia: Já que você vem falando sobre envelhecimento e como vencê-lo, por que você se faz parecer como um velho? (Risos)

AG: Porque eu sou um velho. Na verdade tenho 158 anos. (Risos) (Aplauso)

Platéia: Espécies nesse planeta evoluiram com sistemas imunológicos, para combater todas as doenças para que indivíduos vivam o suficiente para procriar. Entretanto, até onde eu sei, todas as espécies evoluiram pra morrer, então, quando as células se dividem a telomerase diminui e, eventualmente, a espécie morre. Então porque – a evolução – parece ter selecionado contra a imortalidade, quando é tão vantajoso? Ou a evolução é incompleta?

AG: Brilhante. Obrigado por fazer uma pergunta que posso responder de forma não-controversa. Vou dar a verdadeira resposta convencional para sua pergunta, com a qual eu até concordo. Que é: não, o envelhecimento não é um produto da seleção. A evolução é simplesmente o produto de negligência evolucionaria. Em outras palavras, nós envelhecemos porque é mais difícil não envelhecer. Precisamos de mais caminhos genéticos, de genes mais sofisticados para envelhercermos mais devagar, e isso acaba sendo verdade, quanto mais forçamos isso. Então, o período que dura a evolução não importa. Ela não se importa se os genes são passados por indivíduos através de uma vida longa ou de procriação. Há um certo nível de modulação nisto, que é a razão da duração da vida diferente entre as espécies, mas é por isso que não existem espécies imortais.

CA: Os genes não se importam, mas nós sim?

AG: Isso mesmo.

Platéia: Oi. Eu li em algum lugar que nos últimos 20 anos, a média de vida de todo mundo no planeta aumentou em 10 anos. Se eu projetar isso, concluirei que eu viveria até uns 120 anos se não bater com a minha moto. O que significa que sou um dos casos que poderá chegar aos 1000 anos?

AG: Se você emagrecer um pouquinho. (Risos) Seus números estão um pouco errados. Os números aceitos são de que o nível de vida vem crescendo em média um ou dois anos a cada década. Então, não é tão bom quanto você pensa – mas você pode ter esperança. A minha intenção é de mover um ano a cada ano o mais rápido possível.

Platéia: Me falaram que muitas das células cerebrais que temos como adultos formam-se no embrião humano, e que as células cerebrais duram mais ou menos 80 anos. Se isso é realmente verdade, biologicamente, existem implicações no âmbito do rejuvenescimento? Se há células no meu corpo que vivem 80 anos, ao contrário do normal, digo, um ou dois meses?

AG: Existem implicações técnicas, certamente. Basicamente o que precisamos é repôr células naquelas áreas do cérebro que perdem células rapidamente, especialmente neurônios, mas não queremos repô-los mais rápido do que isso – ou não muito mais rápido. porque uma reposição demasiado rápida iria degradar a função cognitiva. O que eu disse antes sobre a inexistência de espécies que não envelhecem foi um pouco simplificado demais. Existem espécies que não envelhecem – Hidra por exemplo – mas elas o fazem por não possuirem sistema nervoso – e não possuirem tecidos e de fato confiarem as suas funções às células de vida longa.

[Via BBA]

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